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o Bom Pastor

E AquEle que era dono de todas as batidas do meu coração, me fez encarar de perto cada uma das minhas francas fragilidades (anlık). E aquele momento me fez ciente da falta de sensibilidade em meu eu.
Cada parte humana em mim foi ficando oca, como uma casa prestes a ruir. Todas as capas de religiosidade foram retiradas , tudo o que fui obrigada a enxergar era a simples, nua e crua, Verdade.
Aos poucos perceber os ecos das paredes que caíam sobre mim, me fez notar que o orgulho era o que sustentava aquela edificação hostil. O que via sobre cada tijolo era rebeldia, obstinação e hipocrisia. Existia em mim grande parte que queria olhar para trás com grande anseio de ter em que agarrar, mas aquilo que escolhi deixar lá, no passado, já não faz mais parte de quem hoje sou. Desde daquele dia, em que encontrei o Meu Amado, decidi seguir adiante sem ter para onde voltar. A direção que agora sigo me leva aos braços dEle.
Tudo o que tenho é tão pouco comparado ao que Ele já me deu. Ao lado dEle tenho uma alegria plena invadindo cada lacuna do meu ser.
Nos Seus braços, Ele, o Meu Amado, me abriga e com tamanha singeleza me leva por um tortuoso caminho escuro.

A minha alma sentia muita falta de casa e as guerras eram frequentes, pareciam não ter fim, tudo o que avistava era o breu a me invadir, como ondas fortes se quebrando sobre o meu pequeno barco. Em Suas mãos o sangue escorria do corpinho esmorecido do leviano ser amado.
A pelagem escurecida e suja mostrava que este havia habitado lugares ermos e longíquos, onde não se pode imaginar que esteve. Enquanto as sandálias do Bom Homem tocavam o solo endurecido em passos silen-
-ciosos o ser amado, desmaiado, seguia vegetal em Seus braços. Havia outros seres no rebanho, com quem Ele frequentemente se preocupava, no entanto, aquele que estava com o Pastor se perdera há muitos dias atrás, por isso, a sua falta O fez deixar as noventa nove para resgatá-lo. Ele finalmente o encontrou e o trouxe de volta ao lar, junto aos seus. Depois de cuidar de seus ferimentos o levou a pastos verdejantes para experimentar novamente as boas pastagens. A alegria no olhar dEle poderia ser descrita como o olhar de um Pai ao ter seu filho perdido de volta ao lar.

Glossário:

  • Anlık – uma palavra em turco que dentre alguns de seus significados significa “instante”. No texto acima se denomina como fragilidade, pois esta nada mais é do que uma vulnerabilidade exposta de forma instantânea.

Vinhas em flor

Enquanto caminho pela vinha, mal me dou conta de que o seu bom cheiro exalado pelo tempo certo do florescer das flores, demonstra agora a beleza que há muito esteve escondida, mas que permanecia sendo cultivada.

O meu coração esteve adormecido, ou apenas protegido. Como se não fosse capaz de sentir ou não pudesse ser roubado por ilusões passageiras. Sendo, pois, guardado para aquilo que era puro e verdadeiro, assim como belo quando despertado no tempo de florescer.

A medida que avançava, o tempo tentou se redimir em suas mais variadas formas. Em alguns momentos, fez-se mais extrovertido, em outros mais introvertido. Nos dias em que se devia abraçar, também podiam ser dias de chorar. Naqueles dias em que eram dias de juntar, também podiam ser dias de sorrir. Como diria o sábio, há um tempo adequado e devido para tudo debaixo do sol.

Nada daquilo que acontecia no enredar do tempo me desistimulava a ver a minha amada vinha em flor. Pouco a pouco a cada passo me desvinculei da ideia contemplativa que há no tempo e me distrai com a ideia de que o processo abortado pelo imediatismo poderia, enfim me fazer colher flores belas por fora, mas ainda assim plastificadas por dentro. Achei que essas podiam ser uma boa substituição para o escapismo de viver um árduo processo , lento como o tempo que não chega para quem “espera” – ou só está parado deixando de viver.

Na distração anestésica me movo devagar e dou dois passos para trás no processo de cultivo daquilo que cresce embaixo da terra. Ali, também tem o que chamarei de raposas e raposinhas que passam de forma sorrateira correndo por entre os caules da plantação tentando roubar tudo o que têm vida ali. De modo que quando contemplo novamente de longe a minha plantação vejo que ela parece muito mais longe do crescimento do que já pareceu. Me dispo de esperança.

Quando percebi e observei de perto os movimentos traiçoeiros das distrações entendi que o modo preferido delas de satisfazer o seu apetite era asfixiando a minha esperança de colheita. Enxerguei também uma possibilidade. Talvez elas quisessem fazer com que me movesse em direção, não só a restauração daquilo que foi perdido, mas também daquilo que ainda não havia florescido para que elas os roubassem outra vez. Certamente, elas não queriam me privar daquilo que nunca havia existido, elas só queriam me parar para que nunca pudesse ver o fruto do meu cultivo. Há o risco de distração naquilo que ainda resta, mas escolho com empenho estar atenta àquilo que pode vir daquilo que ainda não foi tocado pela ansiedade da distração.

Enquanto coloco as minhas mãos novamente nos restos do que sobrou da plantação. Tenho a ajuda de um Bom Jardineiro que tem mãos habilidosas para o caos. Para aqueles solos que parecem sem jeito ou salvação. Contando com a ajuda dele sinto como se em meu rosto batesse um novo frescor da esperança que retorna ao meu peito. O sol quente toca o meu rosto e enxergo vida além do horizonte. Embora ao meu redor, ela pareça tão silenciosa e bem escondida. O jardineiro me dá um conselho: – confie no processo, sem medo. Viva-o intensamente. E verá que passará sem que perceba. Persevere e continue. Tenha fé.

Agora contemplo essa linda plantação cheia de vida e diferentes cores, depois de tantos longos dias de incerteza daquilo que não era visto. E confesso, agora que vejo parece tão mais fácil acreditar. No entanto, enquanto não via, insisti em ver com os olhos de fé, e por isso, persisti, continuei. Vejo o fruto do meu esforço, então, e me alegro grandemente. Valeu à pena não desistir.

Ps: Vê-se no texto os parágrafos divididos de forma lineares desordenadas e há uma explicação ilógica para isso. A cada nova linha há uma nova percepção de quem fala. Há mais e mais a ser dito, do que foi anteriormente.

Acaricio a obra do meu encanto enquanto lembro do parto do processo.

A canção dos pássaros

Há momentos na vida em que você passa pelos acontecimentos de forma desmedida. Como as crianças que correm ansiosas por não perder nenhum detalhe de um novo momento de diversão. Não há como mastigar ou processar de forma lenta quando o mundo e o tempo ao seu redor passam num piscar de olhos.

Entretanto, mantenho a minha respiração no mesmo passe. Inspiro e expiro de forma lenta tentando ecoar ao meu interior o doce cantar do passarinho que emite a paz de uma certa confiança no Criador. Enquanto respiro, me organizo e processo. Ainda assim percebo que a dor no peito continua.

Os pensamentos seguem o mesmo ritmo dos ponteiros do relógio e do mundo globalizado que gira tão rápido quanto nunca. A era da informação nos apriosiona nas telas e ainda nos fazem reféns da curiosidade. Tento dizer aos meus pensamentos as verdades e certezas que me acalentam e acredito. E durante esse ritual de declarar a mim mesma a verdade de vida, me liberto de mim e da minha ansiedade que quer sempre estar um passo à frente. E ao invés de correr atrás do ônibus, entendo agora que devo esperá-lo no ponto até a sua hora certa de passar. Ainda que não saiba quando será. Disritmo os meus passos acelerados e agora caminho. Sem pressa. No meu passo e na minha estação. No silêncio contemplo a beleza de crescer no escuro.

As sementes que foram lançadas enquanto era noite, foram regadas pelas lágrimas, e crescerão, cheias de vida, em um solo que amanheceu sendo aquecido pelo sol. Por isso, terá assim nova vida. Os lábios cheios de alegria e júbilo cantarão sobre o prazer de não ter desistido da semeadura, pois os feixes da colheita trazem à memória o recado da perseverança que produz um caráter forte. Nos dias de colheita os prantos se tornarão em louvor e as vestes de luto serão vestes de celebração.

Aqui, os pássaros cantarolam sem parar

25 de janeiro de 2024

Aquele lugar me trouxe memórias que nunca irei esquecer. Não é sobre a história que está impregnada em seus cenários ou nas ruas de paralelepípedo, mas sobre a sua gente. 

Existem cenários de fome e sede por vida naquela cidade que nunca vi em nenhuma outra. Há igrejas, muitas igrejas ali, mas as belezas expressas nos símbolos precisam ser vivificadas para significarem vida. Há tanto de Deus, mas tudo o que representa Deus ali parece tão morto. Há muitas riquezas, porém há tantos que mendigam nas ruas. 

Naquele meio, me vi sendo invadida por desconcerto diante de coisas que meus olhos nunca viram, e que encaravam agora com tanta estranheza. Me lembrei de passagens da Bíblia sobre as quais sempre tive admiração. Jesus ia a lugares específicos para encontrar pessoas específicas. Ele foi a Samaria para encontrar a mulher samaritana e foi a Decápolis para encontrar o gadareno.  E naquele dia no meio do meu erro no percurso me vi presa em um lugar desconhecido por algumas infindáveis horas. Enquanto estava ali, me chamou atenção um homem, a quem Jesus queria encontrar naquele dia. Seu corpo era cheio de caroços e ele oferecia a sua poesia a quem quisesse ouvir para ganhar alguns trocados. Lembro-me de estar orando naqueles dias por compaixão. Quando os meus olhos encararam a figura do “Luiz” fui tomada por compaixão. Dentro de alguns segundos estávamos orando por Ele, falando sobre Cristo, oferecendo a ele o que tínhamos (alimento, abraço). Lembro de vê-lo emocionado dizendo claramente que tinha se sentido muito amado por Jesus naquele dia. 

Jesus enxerga aqueles que não são vistos por olhos desatentos. Ele enxerga os rejeitados ou desajeitados. Os “estranhos” aos olhos do mundo. O “Luiz”, o rapaz a quem encontramos tinha sede de Vida e apresentamos a ele através de nossa atenção, abraço, olhares e palavras, a fonte da qual essa água da vida emana. Jesus vive! Jesus vive através de nós! Ele se mostra vivo aos outros através de nossas ações de amor ao próximo. 

Inverno

Há nessa estação do ano, chamada inverno, algo que me atrai a querer fugir dela. Existe escassez externa no inverno, essa escassez não é também interna. A sequidão da terra e a atmosfera fria que nos rodeia traz a certeza de que esse tempo parece não ter mais fim. Embora os dias sejam mais curtos a escuridão chega depressa roubando-nos o doce calor do sol.

Todas as certezas que carregava na última primavera parecem agora tão sem sentido. Tenho a impressão de que apostei as minhas fichas em coisas tão vazias e sem sentido e que me esqueci do que realmente importa. Me prostrei diante de deuses que eram cegos e mudos e não podiam me livrar de meus inimigos. Agora, percebo a mim mesma tendo que encarar uma nova estação com as incertezas tão aparentes diante de uma ferida que sangra sem parar.

Enquanto as mãos Dele rasgavam aquela ferida já coagulada me vi sendo desmontada e desnuda completamente em Sua Presença. Mas havia dentro de mim tanta frieza e insensibilidade que nem me lembro se senti algum tipo de dor. Aquela dor de alguma forma me fazia sentir algo além daquilo que não vinha sentindo nos últimos dias. O sangramento demonstrou a minha necessidade de cura no meu interior. A minha mente é Tua obra prima e enquanto me vejo sendo trabalhada como barro em Tuas mãos também me vejo necessitando de Ti como Pai.

Eu te entrego tudo. Mesmo que eu não tenha nada além da vida e do coração que o Senhor mesmo me entregou através daquele sacrifício na cruz. Eu te entrego um coração que é tão egoísta e frio e também te entrego um futuro incerto…eu te entrego os meus medos, os meus fracassos, as minhas falhas, as minhas bagunças, os meus erros. Eu te entrego tudo. Me perdoe por te entregar tão pouco. Eu também te entrego as minhas amargas lágrimas. Quero jogar tudo para cima e me esquecer de que algum dia eu já vivi para algo além de Ti, mas o que tenho em minhas mãos parece tão mais valioso do que tudo o que já tive aqui. Nesse inverno eu te entrego tudo aquilo que considero nada. Te entrego os meus dois peixinhos e os meus cinco pães. Obrigada por ver além do que eu posso ver.

Um dia de inverno (no shopping)

Propósito

Sempre me incomodei com o fato de abraçar pessoas e perceber que o perfume delas tinha ficado, de alguma forma, impregnado em minhas vestes. Isso se dava pelo fato de que não queria que o perfume da pessoa em mim fosse mais forte que o meu próprio cheiro. Eu sei, parece um pensamento bem egoísta.

Mas naquele dia foi diferente. Estava orando a Deus por uma resposta que me fizesse desviar os olhos de meu próprio umbigo e me deparei com uma garota cheia de desejo de viver e com um sonho e isso despertou algo em mim.
A Ray (uma das minhas alunas) vestia um jaleco branco e estava muito empolgada com fato de começar a fazer um curso ligado à veterinária. Eu fiquei muito feliz porque fazia tempo que não a via com um sorriso tão verdadeiro, como de criança.

O perfume dela ficou em mim e por incrível que pareça, não me incomodei, pude perceber que fiquei feliz de perceber que a vida era mais empolgante quando víamos sementes brotando na vida de pessoas em quem havíamos investido nosso tempo em oração. A Ray trouxe a mim um novo senso de responsabilidade do quão precioso e desafiador é estar disposto a viver os propósitos de Deus.

O convite da cruz de Cristo é para que deixemos de lado os nossos próprios interesses e coloquemos os interesses dEle acima dos nossos. E o ato de me conectar com o outro e percebê-lo como alguém que Deus deseja alcançar através de mim, com Seu amor, traz à tona a necessidade de morte do meu “eu”. A alegria da Ray naquele dia me “contaminou” e me trouxe uma plena convicção de propósito e sentido. Eu diria que aquele encontro me trouxe um certo temor. Nada nunca foi sobre mim ou nada nunca terminará em mim. Tudo é por Ele e para a glória Dele.

Arquivo: 2023

“A razão nasce da emoção, e vive de sua morte.”

Cada sentido que ritmicamente confessa a minha falta de exatidão será amplamente percebido por seu olhar atencioso que destila seu doce Amor sobre mim, como o orvalho que ensopa o campo pela manhã. Sei que tudo o que sei é tão pouco, mas caminhar por aquilo que os olhos podem ver parece tão banal, já que tudo aqui é desprovido de todo e qualquer sentido, sem ritmo e sem alegria. As cores são opacas como os dias nublados de inverno.
A falta de sentido não tem muito a ver apenas com o significado, mas com o fato de que tentamos não sentir quando a realidade nos encara de frente tentamos mortificá-lá, afogá-la no devaneio da fantasia, mas tudo o que fazemos é acender alertas que a evidenciarão e tornarão a dor mais profunda e aparente.

Arquivo: 2020

17 de março de 2023

Uma escola com vozes que carregam propósitos do céu

Existiam muitas sementes plantadas naqueles solos. Muitos outros trabalhadores tinham vindo antes de mim e eu somente iria continuar de onde eles pararam. É como pensarmos na tocha olímpica que é transferida de um corredor ao outro. Assim foi comigo naqueles dias, as fotos se tornaram escassas, pois os dias foram intensos e praticamente irreais diante de tudo o que já vivi aqui na terra.  A glória de Deus e a manisfetaçao do céu se tornaram palpável. Éramos guerreiras, eu e minhas queridas amigas que batalhávamos em oração. 

Todo aquele sonho começou em um dia despretencioso e amargo, em que o meu coração tinha sido invadido por uma decepção amorosa. Deitei-me na minha cama frustrada e disposta a procurar um filme para escapar da realidade que queria esquecer. Enquanto procurava me deparei com um título que chamou a minha atenção “When calls the heart”, não sabia do que se tratava aquilo, mas logo descobri que se tratava de uma série. Não li a sinopse apenas dei play e segui assistindo. Estava pisando em ovos quando comecei a assistir, porque estava fugindo de todo tipo de cenário romântico, estava pronta a desistir da ideia de assistir caso houvesse algo assim. No entanto, me deparei com a linda história de uma moça jovem que deixou sua cidade, casa e família para ir em direção a um sonho. Ela tinha o sonho de ser professora e foi chamada para tal cargo em uma cidadezinha pequena e de má fama. Ela encarou o desafio com ousadia e temor. 

Comecei a assistir episódio após episódio daquela série e o incrível é que cada história me emocionava de uma maneira que não sei muito bem como explicar.  Cada história única entre a professora, um aluno específico e sua família me fazia perceber o sigifnicado único que ela embutia dentro do coração de cada um. O enredo principal da série de mostrar a profissão/missão da moça se perdeu ao longo das temporadas, por isso desisti de assistir a série em algum momento, mas aquele drama ficou no meu coração. 

Os dias foram se passando e os meus dias na faculdade iam se findando. Me perguntava o que seria de mim, visto que as aulas exaustivas, embrumadas de tédio e cheias de ideologias de Literatura Brasileira e Americana iam fazendo definhar a minha ideia apaixonada sobre o que era o ensino ou a escrita. Estava decidida a nunca ser professora, me assustava a ideia do que era ensinar não tendo Deus como centro de tudo e percebendo que a educação era um caos, um lugar escuro, cheio de terror caótico que nunca poderia ser mudado. No meio de alguns acontecimentos antecedentes me vi no último estágio da vida acadêmica em uma escola onde fui muito bem tratada, mas todos pareciam cansados do ambiente escolar e falavam mal de tudo, inclusive dos alunos. Naquele dia me lembrei dos momentos traumáticos que tive enquanto aluna na escola e decidi que nunca mais pisaria os meus pés em uma escola. Erro vão. 

A história seria muito longa se fosse contar todos os detalhes, mas Deus foi me mostrando o caos no mundo e a beleza que podia existir em poesias escritas por Suas mãos. A poesia começaria a ser escrita quando eu resolvesse me tornar uma personagem de importância em sua história. Uma personagem de importância porque coadjuvantes não tem grande espaço na trama e não se tornam agentes transformadores porque não tem falas,  nem papel principal. 

Resolvi encarar o desafio de participar da história Dele e ele me deu lindos testemunhos para contar que são como grandes montes que com a ajuda Dele já escalei – passando até mesmo entre os vales para escalá-los- eles ficaram atrás de mim porque me sinto pronta para escalar novos montes com Ele. 

No meio do caminho de escalada de cada um dos antigos montes, me vi transbordando amor e amando vidas como nunca antes, olhei nos olhos de pessoas, todas elas, e vi quanto Deus as amava. Percebi que cada atributo físico e também comportamental tinha uma razão para existir. Existiam naqueles corações aprendizes imenso potencial, aptidões e dores. Cenários catastróficos que estavam escondidos em seus corações, cheio da ingenuidade de criança, muitas vezes. 

Foi assim que decidi, apesar de tudo o que já me falaram, que sou chamada para a missão de ser uma professora. Já ouvi as piores coisas: “você não sabe onde está se metendo”, “deve estar louca”, “deveria ter escolhido outra profissão”, “você é muito calma”, “você não sabe o que é estar em sala com muitos alunos”, “ela fala que “amaria ser professora”, pois só fica com algumas poucas crianças na igreja”, “você não quer desistir? Ainda dá tempo”, “quer ganhar “pouco” a vida inteira?”” Você é muito nova”, “você é inteligente demais”. Em algum extremo todas essas vozes já me estimularam ou desencorajaram de alguma forma, mas hoje eu decidi que não importa o que os outros dizem, não fui criada por eles, eles não sabem nada sobre mim. Desejo viver os propósitos do céu e te convido, amigo(a) querido(a) a junto comigo caminhar em obediência enquanto o céu (a Voz no caminho) sussurra a nós os próximos passos que precisam ser dados. 

Ps: encarei cada um dos desafios que as pessoas julgaram que eu não fosse capaz de lidar. E pude perceber que em minhas fragilidades fui sustentada pela graça de Deus. Que foi suficiente. 

– Entre eles, o maior deles em minha opinião: encarei uma sala com mais de 35 alunos falantes (haha), tive que ser firme, mas continuei a amá-los, e tratá-los com amor, mesmo em dias difíceis. 

Aprendendo com eles

“Ju, quero que aprenda com eles hoje”

Não estava nos meus planos levá-los ao parque. Tinha preparado uma atividade estática que na minha concepção era o que eles precisavam. No entanto, ao levá-los ao parquinho me dei conta de que aquilo era o que eles precisavam para extravasar a semana conturbada e atípica que tiveram.

Enquanto os observava a brincar me dei conta de que eles viviam a liberdade no sentido total dela. Eles não tinham medo de nada. Eram corajosos para se jogar no novo, nas novas brincadeiras que enfrentavam. Em contrapartida, eu me via preocupada com cada movimento ousado que eles faziam. Pedi conselhos a eles sobre a coragem e me assustei ao ver respostas tão supreendentemente maduras do ponto de vista adulto.

Um dos meus estudantes (N.)

Aos poucos fui me acalmando e permiti que o privilégio de estar no meio deles e do jeito de criança me envolvesse e entrei nas brincadeiras deles sem medo. Fui a fada madrinha quando foi necessário, tentei pegar amoras sem sucesso e até vi uma borboleta diferente de qualquer outra que já tinha visto. Enquanto me perdia no ímpeto da coragem sendo rodeada por eles vi de longe o N. (um dos meus estudantes), sentado assim como na foto, me dirigi a ele e perguntei: “Cansou de brincar?” Ele me disse: “Não, só estou registrando o momento”. Eu disse a ele: “Legal, posso tirar uma foto de você registrando o momento com o seu desenho??” Destemidamente ele disse: “sim.” E abriu um sorriso simples e honesto.

Os aprendizados desse dia não parecem palpáveis, pois eles estão imputados dentro de mim e têm servido como barro nas mãos do oleiro que me molda mais e mais ao seu agrado até que eu esteja pronta para o propósito para o qual me criou e eu sigo aqui me submetendo a ele e aos processos, tantas vezes dolorosos e desafiadores.

Bitterness

We tend to believe the world how it is a eccentric place. We rarely know how to handle with a broken heart in a healthy way. We pretend it because we don’t want people see us as fragile people.

I admit it. I can’t handle it. I feel the bitter spreading over my heart. I’m not a bitterness person at least I think that I am not that kind of person. I used to think I was strong however, recently I realized that I am fragile, weak. I used to believe in the illusion that my perfection ways could be a mark for my goodness or strength. I was wrong.

I found out my true strength comes from Him. Because He is the Only One who is Strong in all the true meaning of this word. And His power strengths me. Above it all when I am hidden in His arms I feel safe. When I am weak then I am strong. Therefore because of Him I can be anything that He created me to be. I am enough through His eyes. His thought defines me.

In the next time I must deal with it I’ve learned He is my everything and I know through His wounds I have been healed. For this reason I know there is no bitterness that can separate me from His everlasting love. I am His and He is mine.

A little child

Ainda muito pequena eu sonhava com o dia em que os meus sonhos mais irreais pudessem se tornar realidade. De forma destemida e sorridente vivia os meus dias, mas nas atividades diárias os meus medos estavam incumbados nas ondas destemidas do mar que levavam junto com elas a minha coragem de tentar pintar as telas que me propunha a pintar.

As minhas emoções se misturavam com as cores de tintas alegres e apáticas e os meus dedos se sujavam na tentativa de pintura das belas telas. Não sabia como lidar com o turbilhão delas (emoções) em meu interior e, por isso, pedia constantemente a todos a minha volta ajuda com isso. Alguns me olhavam com olhar de obviedade o que me fazia reprimi-las ou escondê-las, algumas vezes.

Aos poucos fui perdendo o meu jeito honesto de criança e fui enfrentando a dura realidade de que os dias não são tão leves e sem preocupações como aparentam para mim. Além disso, passei a vestir os trajes de adulto que fazem com que me encaixe na realidade do que não é, viver assim é fugir da realidade para estar de bem com a vida. Isso me tornei em algum dado momento da tenra infância. Agora, já adulta, percebi que, essa, não quero mais ser.